quarta-feira, 31 de março de 2010

Arquiteta.com


"O homem é precisamente o que ainda não é. O homem não se define pelo que é, mas pelo que deseja ser."

Música (Tati B.)


As pessoas seguram uma risada quase de pena. Mas se ele nem morava aqui, mas se ele não ficou mais do que uma semana com você, mas se já faz tempo que ele se foi, sem nunca ter sido.
Então o quê? Nem eu sei. Mas sei da minha enxaqueca que já dura uma semana. Latejando sem parar. O coração que subiu nos meus ouvidos. Gritando que sente falta e pronto.
Eu sinto falta de ligar o celular, depois do avião aterrissar, e ter uma mensagem sua dizendo que vai dar tudo certo. E sorrir mesmo estando numa fila gigantesca para o táxi, embaixo daqueles 78 graus do Rio de Janeiro. Não tem poesia nem palavra difícil e nem construção sofisticada. O amor é simples como sorrir numa droga de fila. E não se sentir mais sozinho e nem esperando e nem desesperado e nem morrendo e nem com tanto medo.
Eu sinto falta de querer fazer amigos em qualquer festa, só pra conhecer gente estranha e te contar depois. Agora, eu fico pelos cantos das festas. Voltei a achar todo mundo feio e bobo e sem nada a dizer. Porque eu acho que estava gostando mais das pessoas só porque te via em tudo. Agora as pessoas voltaram a me irritar. E eu voltei a ter que fazer muita força pra sair de casa.
Quando alguém não entende o meu amor, eu lembro daquele dia que você não queria tocar violão pra mim. Até que dedilhou reclamando que não era o seu violão. Daí tentou uma música conhecida. Tentou uma menos conhecida. Daí tocou uma sua, com a voz baixinha e olhando pro nada. E então me encarou e cantou com a voz alta. E então largou o violão, me encarou e cantou bem alto a sua dor, de pé, na minha frente, e eu achei que meu peito ia explodir. E ri achando que você ia sair correndo e dar um show na padoca da frente. E naquele momento eu pensei que poderíamos ser infinitos se fossemos música. E isso explica tudo, mas ninguém entende. Você entende. Mas cadê você?
Quando vai dando assim, tipo umas onze da noite, o horário que a gente se procurava só pra saber que dá pra terminar o dia sentindo algum conforto. Quando vai chegando esse horário, eu nem sei. É tão estranho ter algo pra fugir de tudo e, de repente, precisar principalmente fugir desse algo.
E daí se vai pra onde?

domingo, 28 de março de 2010

Seu amor me estragou (Fabrício C.)


Confessa que não está pronto. Não fique pronto. Tampouco estou preparada. Vamos assim mesmo. Meu corpo não tem mais espaço para se regenerar. Não posso salvar minha carne retirando a própria carne. Preciso da sua para me cobrir. Dói onde não fui beijada.
O que sinto nem falo. Não me cabe encerrar a vida de ninguém. A minha sempre está começando ao seu lado. Termino para não me repetir. Não consigo definir: “aquele foi o último abraço”, “aquele foi o último beijo” e conservar e sublimar para me lembrar do fim. Eu guardo todos os abraços e beijos pensando que foram os últimos.
Eu me abandono, me troquei várias vezes, mas não me despeço.
Seu amor me estragou por inteira. Não amarei menos do que recebi de você.
Seu amor tornou impossível qualquer outra história de amor. Seu amor é um estelionato, nenhuma mulher deveria aceitá-lo porque não terá tempo de quitar. Seu amor é uma generosidade injusta. Uma extorsão. Uma maldição. Porque ele me cura do que ainda nem adoeci.
Não sei me despedir de você.
Já briguei, já fiz as malas, já a ameacei com chantagens, já prometi que não seria mais feliz.
Já apanhei as chaves, já devolvi as chaves, já avisei aos amigos.
Já, Já, Já.
Não sou mais a mesma. Nunca serei mais a mesma.
Só queria encontrar alguém mais louco do que eu para voltar à normalidade.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Pessoa predileta (Fabrício C.)


Aquele primeiro encontro é incompreensível mesmo. Não criamos nenhuma cumplicidade imediata, nenhuma sintonia evidente; cortejamos o deboche. Os garçons não diriam que ficaríamos juntos, apostavam 3 por 1 que não sairíamos no mesmo carro. Nem nós. O destino escreve rápido e esconde a folha. Mudo a cena, viro de cabeça para baixo e não capturo o que nos aproximou. Por quê?
Talvez o riso dela, que aumentava a altura do teto. Talvez a boca límpida, que não sobrava em nenhuma palavra. Ou sua capacidade de se devotar a cada frase com “o quê?” como se não houvesse escutado para ganhar tempo do revide.
Ela foi lavar as mãos e me aproximei e passei a lavar seus braços, seu rosto, a ensaboá-la, nem pensando em como receberia meu gesto, se me afastaria com violência ou aceitaria mansamente a minha loucura. Naquela hora, eu queria dar banho nela. Naquela hora, esqueci o lugar. Esqueci que estava cheio. E beijá-la era beijar sua pálpebra por dentro.
Somos tão diferentes e tão apaixonados. Ela tem disciplina, eu tenho obsessões. Eu guardo minhas culpas no desejo e distribuo desculpas. Ela odeia culpa e não perdoa. Sou alucinado por casamento, ela jura que é cativeiro. Cansamos com frequência, não aceitamos fácil um ponto de vista, não falamos amém para uma teoria ou uma descoberta, o que é estranho para mim depois de imprevisíveis metáforas. Convivemos com réplica, tréplica, uma curiosidade infinita pelo avesso. Não convivemos com o suspiro, porém com o soluço. O soluço é o nosso suspiro. O soluço é o suspiro da discussão.
Ela tem um medo assombroso de mim, do quanto posso feri-la. Eu tenho um medo danado dela, porque é bem capaz de viver sem mim. A linda cretina nunca disse que não vive sem mim, acredita? Nunca, nem dormindo...
O amor dela é tranquilo, imutável, o meu é para agora, renovável. Ai se ela não demonstra apego numa tarde, mergulho em surto. Ela não depende de jura e declarações, está bem assim, cercada de um silêncio atento, sabendo que a amo. Quando preciso dela, ela supõe que é drama e mais uma artimanha para ser o centro dos acontecimentos. Quando ela precisa de mim, eu deduzo que ela procura se afastar e perdeu o interesse. Já brigamos no carro, no elevador, no shopping, acordamos vizinhos, assustamos os donos e seus cães na rua e insistimos e nos perdoamos porque somos tão apaixonados.
Existem enigmas guardados na pequena mesa de um bar da Cidade Baixa. O enigma é o futuro do segredo. Muito mais do que poderia beber naquela noite. Muito mais do que poderia conservar numa vida. Muito mais do que possuo condições de antecipar pela minha ansiedade.
A esperança pode vencer a experiência. A esperança é uma experiência.

terça-feira, 23 de março de 2010

- Eu também.


"Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou(...). Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia(...). Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar. Re-amar. Amar".

- Gostas de mim, menina?!
- (...)
- Porque demoras a responder-me?!
- É que... Me veio um sentimento tão bom ao ouvir tuas palavras que o mundo parou de girar por uns segundos, eu senti as borboletas voarem desenfreadas aqui dentro e eu só conseguia sorrir. Então, já que queres mesmo saber, te declaro que mesmo sendo impaciente é a ti que eu continuo, e continuo, e continuo esperando. Às vezes - muitas vezes - chego a me perguntar se vale mesmo a pena, mas já está valendo. Comecei a ganhar da primeira noite e até hoje, só consegui guardar os sorrisos. E eles são bem grandes, largos e longos. E são maiores do que as outras coisas - quaisquer estas que sejam. Agora moço, todas as minhas fichas estão sobre a mesa, à mercê do teu coração que nem é bobo, nem nada e só por isso me dá um trabalhão. E eu nem preciso mais cobrar de ti - digo isso com mais um sorriso bobo nos lábios -, sabe porque?! Mesmo que não digas, eu sei que quando se gosta de verdade a gente necessita ouvir do moço ou da menina essas declarações. Tu que sabes quase tudo, de quase todo mundo que já passou por minha vida. Tu, meu diário ambulante, meu confessionário 24 horas. Tu, minha saudade mais real, meu amor mais inventado. E criamos nós essa vida. Tu que és tão igual a mim, que também não diz com quem estás nem a que horas voltas. E acho que talvez isso só dê certo porque há esse espaço físico entre nós. De quanto orgulho mesmo?! Porque a saudade me mata, mas também me faz te querer mais. Todavia, uma vez ou outra, sem pretensão nenhuma, é bom dizer só para que não se esqueça. Porque um dia eu posso não estar aqui, posso não estar disposta, posso não querer falar contigo e posso não estar a fim de ti para sempre. Mas enquanto esse dia não chega te digo que o que sinto por ti, vai durar eternamente. Então moço, quando me perguntares se gosto de ti, vou te responder assim: "Eu também"!

:Vê se se encherga, moço. Vê se me encherga!

domingo, 21 de março de 2010

Que dia é hoje?



Você me ama?
Amo.
Eu te amo todo dia.
(...)
E você, me ama?
Amo.
Eu te amo dia sim, dia não.
[que dia é hoje?]

quinta-feira, 18 de março de 2010

Lindos olhos


"Que lindos olhos, que lindos olhos tem você
Que ainda hoje, que ainda hoje eu reparei
Se eu reparasse, se eu reparasse há mais tempo
Eu não amava, eu não amava a quem amei"

quarta-feira, 17 de março de 2010

Diz pra mim, moço


"Devagar, as mãos se tocavam: a tua é tão longa, a tua tão quadrada. Ele não queria entrar noutra história, porque doía. Ela não queria entrar noutra história, porque doía. Ela tinha assumido seu destino de Mulher Totalmente Liberada Porém Profundamente Incompreendida. E aceitava a solidão inevitável. Ele estava absolutamente seguro de sua escolha de Homem Independente Que Não Necessita Mais Dessas Bobagens De Amor."

Às vezes, ao acaso, enquanto tento não pensar em nada – porque juro, eu já consegui não pensar em nada – eu delicadamente penso em ti. Então diz pra mim, moço. Diz o que eu sou para ti. Diz se devo estar errada por pensar em nós dois, se faço certo ou errado em deixar o mundo em terceiro plano, porque tu ainda consegues ser meu segundo. Diz pra mim, se estou sendo injusta comigo mesma por deixar todos os outros para um depois que eu espero que nunca chegue. E às vezes – quase sempre – sinto por fazer planos, mas acabar abandonar tudo em um canto qualquer, e por ficar dando voltas e mais voltas sobre verdades que – por não querer acreditar - escondo até de mim. Tu poderias até me perguntar que verdades são estas se estivesses aqui, mas se estivesses eu não pronunciaria nenhuma palavra, nem sobre verdades, nem sobre mentiras. Então me diz moço, porque calo quando minha vontade é de gritar. Diz se devo deixar de lado essa vontade espantosa que eu sinto de te mandar embora da minha vida, se eu devo continuar precisando de ti, se devo me contentar com esse quase nada. Diz moço, diz pra mim. Se estou tão feliz, por que choro todas as noites antes de dormir? (Isso não inclui as últimas noites de sábado). Diz que o que eu falei não foi em vão e se esse milhão de motivos que tenho para fugir de ti deve ser maior do que a vontade que tenho de ter. Que sentes ciúme, mesmo não admitindo sentir. Diz pra mim, moço. Diz se é amor, se é paixão, se é medo da solidão, capricho, costume, ou puro tesão. Diz se achas que essa metade que eu tenho de ti é o bastante pra mim. Diz se sabes - como diz minha amiga Tati - que todas as minhas súplicas para que você desista de mim, é um jeito maluco de pedir que você não desista nunca. Então diz pra mim omelhorcaradomundo, se ainda não acabou, por que ainda não começou antes que acabe?

Quando a gente ama (Oswaldo Montenegro)


Quem vai dizer ao coração,
Que a paixão não é loucura
Mesmo que pareça
Insano acreditar
Me apaixonei por um olhar
Por um gesto de ternura
Mesmo sem palavra
Alguma pra falar
Meu amor,a vida passa num instante
E um instante é muito pouco pra sonhar
Quando a gente ama,
Simplesmente ama
É impossível explicar
Quando a gente ama
Simplesmente ama

Quando a gente ama, a gente simplesmente espera.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Soneto a Quatro Mãos (Paulo Mendes Campos/ Vinicius de Moraes)


"Tudo de amor que existe em mim foi dado
Tudo que fala em mim de amor foi dito
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.

Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.

Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.
Pois se por tanto dar me fiz engano
Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano."

Do que é feito o amor?


Do que é feito o amor?
O amor é feito de pedacinhos,
Um pedacinho de respeito,
Um pedacinho de admiração,
Um pedacinho de desejo,
Um pedacinho de paixão,
E de pedacinho em pedacinho,
Formamos o todo,
O todo meu,
O todo seu,
O todo nosso,
AMOR.

domingo, 14 de março de 2010

Divã (Martha M.)

Se era amor? Não era. Era outra coisa. Restou uma dor profunda, mas poética. Estou cega, ou quase isso: tenho uma visão embaraçada do que aconteceu. É algo que estimula minha autocomiseração. Uma inexistência que machucava, mas ninguém morreu. É um velório sem defunto. Eu era daquele homem, ele era meu, e não era amor, então era o que?
Dizem que as pessoas se apaixonam pela sensação de estar amando, e não pelo amado. É uma possibilidade. Eu estava feliz, eu estava no compasso dos dias e dos fatos. Eu estava plena e estava convicta. Estava tranqüila e estava sem planos. Estava bem sintonizada. E de uma dia para o outro estava sozinha, estava antiga, escrava, pequena. Parece o final de um amor, mas não era amor. Era algo recém-nascido em mim, ainda não batizado. E quando acabou, foi como se todas as janelas tivessem se fechado às três da tarde num dia de sol. Foi como se a praia ficasse vazia. Foi como um programa de televisão que sai do ar e ninguém desliga o aparelho, fica ali o barulho a madrugada inteira, o chiado, a falta de imagem, uma luz incômoda no escuro. Foi como estar isolada num país asiático, onde ninguém fala sua língua, onde ninguém o enxerga. Nunca me senti tão desamparada no meu desconhecimento. Quem pode explicar o que me acontece dentro? Eu tenho que responde às minhas próprias perguntas. Eu tenho que ser serena para me aplacar minha própria demência. E tenho que ser discreta para me receber em confiança. E tenho ser lógica para entender minha própria confusão. Ser ao mesmo tempo o veneno e o antídoto.
Se não era amor, Lopes, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não sabe se vai ser antes ou depois de se chocar com o solo. Eu bati a 200Km/h e estou voltando a pé pra casa, avariada.
Eu sei, não precisa me dizer outra vez. Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos. Talvez seja este o ponto. Talvez eu não seja adulta suficiente para brincar tão longe do meu pátio, do meu quarto, das minhas bonecas. Onde é que eu estava com a cabeça, Lopes, de acreditar em contos de fadas, de achar que a gente manda no que sente e que bastaria apertar o botão e as luzes apagariam e eu retornaria minha vida satisfatória, sem seqüelas, sem registro de ocorrência?
Eu nunca amei aquele cara, Lopes. Eu tenho certeza que não. Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada. Não era amor, era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor, era sacanagem. Não era amor, eram dois travessos. Não era amor, eram dois celulares desligados. Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo. Não era amor, era melhor.

Presente de um beija-flor (Natiruts)


Agradeço por está aqui
Manisfestar a emoção
E colocar minhas idéias, sentimentos
Em forma de canção
Agradeço por poder cantar
E ver você ouvir
E tentar entender essa mensagem
Que eu quero transmitir
(...)
Beija-flor que trouxe meu amor
Voou e foi embora
Olha só como é lindo meu amor
Estou feliz agora

P.S.: Esse beija-flor trouxe a melhor do mundo.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Meias verdades (Caio F.)

Dentro de mim guardo sempre teu rosto e sei que por escolha ou fatalidade, não importa, estamos tão enredados que seria impossível recuar para não ir até o fim e o fundo disso que nunca vivi antes e talvez tenha inventado apenas para me distrair nesses dias onde aparentemente nada acontece e tenha inventado quem sabe em ti um brinquedo semelhante ao meu para que não passem tão desertas as manhãs e as tardes buscando motivos para os sustos e as insônias e as inúteis esperas ardentes e loucas invenções noturnas.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Mas ele não voltou ainda ( Caio F.)

Quando "Pedro" voltou, estava anoitecendo.
E foi como se todas as luzes da casa se acendessem ao mesmo tempo.
(…)
Os dias se interrompiam quando ele ia embora.
Recomeçavam apenas no mesmo segundo em que tornava a chegar.
Não sei quanto tempo durou.
Só comecei a contar os dias a partir daquele dia em que ele não veio mais.
Desde esse dia, perdi meu nome.
Perdi o jeito de ser que tivera antes de "Pedro", não encontrei outro.
Eu queria que voltasse,
não conseguia viver outra vez uma vida assim sem "Pedro".
(…)
Parei de ser e de fazer qualquer outra coisa além de esperar que ele voltasse.
Mas "Pedro" não voltou, eu não voltei.
As luzes da casa nunca mais tornaram a acender com sua chegada.

terça-feira, 2 de março de 2010

Porque metade ainda é amor

Pra ser amor
Tinha que ser mais forte do que nós
Ser companhia quando estamos sós
Ser invisivel e abrasador

Pra ser amor
Tinha que haver bem mais compreensão
Tinha que ser maior do que a razão
Ser imbatível como um vencedor

Se fosse amor
Todo o universo ia conspirar
Dando um remédio pra aliviar a dor
Pra ser amor tinha que ser nós dois

Pra ser amor tinha que ser nós dois
Pra ser amor


É que esse seu meio amor inventado só combina com minha metade comportada que desfila por aí ao teu lado. Eu esqueci de te dizer que a metade que sou é tua e ela gosta de ti, sente saudade e fica feliz ao te ver. Mas a outra metade que tu desconheces - que também poderia ser tua - é toda louca e sairia gritando teu nome ao vento para que tu escutes. Ela é louca por ti e tem vontade de correr desesperada em tua direção. Mas eu nem sei como agir direito, por isso - na dúvida - fico muda e finjo esse descompromisso, meio desligada de tudo que faz lembrar de ti, só para tentar não lembrar que tu nunca fostes meu. Nem será. Nem será?!
Mais de um ano do que os outros chamam de “amizade colorida” e que nós dois nunca demos nome. E agora que eu quero um nome, não tenho nem a ti. E, às vezes, olho pela janela este teu céu que outrora só me era conhecido de dias e que hoje me abriga, este céu que me é morada -  como tu és no meu coração, ainda. No entando, agora tanto faz. E eu sinto por nosso amor que não deu certo nem de longe, nem quando estávamos perto.
Hoje ficou um sentimentalismo estranho com mistura de incompreensão . Como se já soubesse que isso iria acontecer, mas tivesse acontecido pelos motivos errados. E tudo continua confuso, embaçado iguais aos meus olhos, como quando ficou a incerteza desse futuro. Desse nosso futuro incerto.
Não saberei os dias em que estará aqui, nem se ainda estará. Às vezes, por um lado, chego a querer que nem estejas. Mas o outro quase enlouquece só de pensar em saudade. E ainda tenho uma vontade absurda de me mostrar completa pra ti, inteira em todos os meus sentidos, mas a isso eu não me proponho, nem a ti.Quis uma vez, quis um ano, quis dois verões, quis nós dois e uma vida.
Agora escrevo-te enfim, não sabendo mais se ainda irás ler. Ou se ainda ouvirei teus comentários absurdos sobre minhas letrinhas reunidas sem sentido, que tanto me fazem bem. Sem teus sentidos. E eu não joguei nada fora ainda, se queres mesmo saber, viu?! É que às vezes, só às vezes - para não ser realista - me vem a sensação de, quem sabe, ter desperdiçado um grande amor. Mas isso não é nada mesmo. Somos mesmo meio esquisitos. Somos mesmo meio. Mesmo, mesmo.
Sentei aqui, querendo te escrever coisas lindas sobre nós e aqueles dias do meu melhor verão. Desculpe-me pelas palavras ásperas, mas é que meu coração não está mais em festa. Está meio.
E se me perguntarem por onde estive naqueles dias, direi assim: "Quase trouxe uma estrela de lembrança."