segunda-feira, 27 de julho de 2009

Das 4 e pouco às 12 e tantas


"Tu és menino de riso fixo, riso fácil. Assobia pelas ruas desse mundo que te trai e cantarola toda tua felicidade de menino de rua, de menino livre. És menino de sorriso de papelão e esse teu sorriso foi um dos mais bonitos que colhi pra minha coleção. Posso te contar, sem medo, de como fico feliz ao te ver passar com tua cantoria despreocupada em tua caminhada sem destino, porque a rua é tua morada e você conhece e dá-se bem com ela. É menino, sou fruto dessa sementinha que plantastes a primeira vez que sorristes pra mim."

- Tentei não sentir saudade de ti, moço. Tentei não me importar. Tentei até não me lembrar!

- Senti saudade de ti naquela festa. De ti o do teu beijo que tanto adoro. Mas acho que cansastes de mim, estou certo?

- Não, moço! Espero que permaneças sempre errado. Devo dizer que senti o mesmo?

- Só precisas dizer o que sentes de verdade. Sem mentiras e sem esperar que os sentimentos sejam recíprocos.
- Não consigo explicar o que sinto, mas gosto do sabor que isso tem. É doce e limpo. Aprendi contigo que não preciso me esconder, nem sentir vergonha; que preciso cuidar de mim, me importar mais com as pessoas ao meu redor, e que as coisas tomarão seu rumo na hora certa.

- Isso é bom. Significa que estás crescendo e deixando teus medos de menina boba e mimada de lado. Isso é certo. Teus amigos muito te querem, assim como eu e sabes que podes sempre contar com meus conselhos.

- Já mostrastes de que és capaz e é por isso que muito te gosto. Teu olhar carrega toda a felicidade desse mundo e posso ver o quanto tu és feliz. E eu também - se quiseres mesmo saber - sou muito feliz por saber dessa tua felicidade. Ao teu lado sinto como se o mundo fosse inteiramente meu.

- Então, por que tens que ir agora? Poderias ficar um pouco mais. Vais mesmo me abandonar?


- Devo. Mas preciso dizer que depois desses dias juntos, fica difícil querer ir embora e assumo: embora esteja crescendo, ainda tenho medo de um dia querer ficar e tu me mandares ir.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Meu querido, meu velho, meu amigo


"...Sua vida cheia de histórias, e essas rugas marcadas pelo tempo,
Lembranças de antigas vitórias ou lágrimas choradas ao vento...
Sua voz macia me acalma e me diz muito mais do que eu digo
Me calando fundo na alma
Meu querido, meu velho, meu amigo..."


Eu cresci um pouquinho desde a última vez que escrevi algumas palavras para você.
Agora tenho sonhos a realizar, responsabilidades a cumprir e um futuro a construir, mas queria que soubesse que eu nunca deixei de precisar do seu abraço.
Lembro do seu rosto, da sua voz e dos conselhos que você sempre me deu. Fico feliz por ainda tê-lo ao meu lado.
Agora é minha vez de cuidar de você e de retribuir os cuidados que você sempre teve comigo. As noites de sono perdidas quando eu estava doente e tudo que você sempre fez para me ver feliz. E sua maior felicidade – eu sei – é ver um sorriso meu.
Quando eu era criança você se orgulhava das minhas demonstrações de afeto e não perdia uma única apresentação minha na escola. Você sempre estava na primeira fila, assistindo a todas. E tudo aquilo me fazia feliz.
Lembro uma vez no dia dos pais que vesti suas roupas. Era uma peça onde tínhamos que representar as profissões dos nossos pais. "Se vocês não tirarem a nota fiscal, prendo vocês" disse eu, com orgulho. Arranquei risos da platéia e você veio até mim e me deu um longo e apertado abraço.
Quando você percebeu que eu já havia crescido de verdade seus olhos se encheram de lágrimas iguais aos meus e sua voz ficou meio presa, mas ao contrário de mim, você não conseguiu esconder sua emoção. Seu choro contido tornou-se evidente naquela festa.
Ao homem com olhar de menino que tanto admiro, ao contador de histórias e estórias que guarda em seu coração tantas memórias.
Obrigada pelas vezes que você desistiu dos seus sonhos para realizar meus caprichos, pelos braços cansados que ainda insistem em me fazer algum carinho, mesmo eu me afastando e pelas eternas palavras de sabedoria.

P.S.: 67 anos é muito tempo. Feliz aniversário!

domingo, 19 de julho de 2009

Sobre o que há de melhor


Falávamos sobre futuro; falávamos sobre mudança, sobre escolhas certas e sobre escolhas erradas; falávamos sobre meninos e meninas, sobre o gosto de romances antigos, e também sobre os que virão; falávamos sobre pais e filhos, sobre independência, sobre família; falávamos sobre festas, danças e sobre micos; falávamos sobre roupas íntimas espalhadas; falávamos sobre brincar de ser mulher, brincar de esconde-esconde e sobre levar as pessoas mais a sério; falávamos sobre palavras, olhares, lágrimas e sorrisos; falávamos sobre crescer, sobre responsabilidade e sobre identidade; falávamos sobre presentes, sobre desejos, sobre papai Noel e sobre anéis e flores; falávamos sobre chocolate, sobre pipoca e sobre academia; falávamos sobre compromisso, sobre relacionamentos e sobre sonhos; falávamos sobre tatuagem, sobre amizade e sobre união; falávamos sobre roupas e sobre lojas; falávamos também sobre o mundo, sobre o país e sobre problemas; falávamos sobre crianças, bonecas e fadas; sobre portas fechadas, janelas quebradas e sobre estrelas; falávamos sobre Sol e sobre Lua; sobre perdas, tropeços e sobre recomeços; sobre querer e sobre luta; sobre cavalos e fazendas; falávamos sobre como outras pessoas entram e saem de nossas vidas diariamente; sobre lembranças, sobre saudade e sobre vontade; sobre consideração e sobre desilusões; sobre música, cinema e teatro; falávamos sobre carros, sobre vampiros e sobre fantasmas; falávamos sobre sentimentos e também sobre coisas banais; sobre espera e sobre cansaço. Resumindo: falávamos sobre nós.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Eu não existo longe de vocês


"Semana passada eu e algumas amigas rimos a noite inteira e celebramos o fato de sermos únicas, de sermos sozinhas, de sermos tão parecidas e de sermos umas das outras."

Elas são minhas amigas. Minhas, sem medo de ser egoísta e sem más interpretações. Quando eu não tenho mais nada de interessante para fazer, as chamo para dividirmos ‘nada’ juntas. Quando estou triste gosto de lembrar desses momentos juntas e consigo até me sentir um pouquinho melhor. Vocês me fazem bem.
É com elas que eu rio até chorar ou mijar nas calças (3 horas?), com elas que eu ficaria conversando sem que nunca faltasse assunto. São elas que sabem de todos os meus segredos. É com elas que não me canso de estar e com elas meu sorriso é sempre sincero. É no travesseiro delas que eu desabafo todas as minhas desilusões, são elas que secam minhas lágrimas e é pr’os braços delas que volto correndo depois de cada tropeço. É do colo delas que preciso para ser feliz. É do olhar delas que preciso, sempre.
Somos assim, assim e nenhum lugar é tão bom sem elas. Nem o fundo do poço, nem Malta, nem Pombal, nem Campina, nem João Pessoa, nem Chicago ou Bariloche. Nenhum amor foi tão importante. Nenhuma festa foi tão interessante. Nenhuma fuga foi tão emocionante e nenhuma vida seria tão significante. E quando me perguntam se elas fazem falta, eu respondo: Não saberia viver sem. São minha metade mais inteira.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Mil e um motivos


Eu tive certeza, desde aquele dia. Eu tive certeza de que você seria meu fim. Torci para você ser alienado e superficial, daquele tipinho que é meio desligado do mundo e dos sentimentos e eu desejei não estar errada.
Você poderia não ser tão insistente. Poderia não ter sido tão doce inclusive quando eu não merecia, poderia ser brega e bem que poderia não fazer tanta falta. Poderia não ter os olhos verdes e encantadores. Você poderia brigar comigo. Poderia não gostar. Poderia não se importar. E poderia não me desculpar quando eu tenho meus ataques insanos e brigo com você por motivo nenhum. Sem dúvidas, poderia não ser mais inteligente do que eu, me dando uma chance de resposta. Poderia me ligar sem que isso fizesse meu coração sair pela boca, tampouco me tocar e falar no meu ouvido sem que eu me arrepiasse inteira. Poderia não ligar, não falar, não olhar e não sorrir. Poderia não ser um bom filho, um bom irmão. E principalmente, não ser um bom amante. Poderia não ser tão difícil de esquecer. Poderia não ter sempre razão e uma única vez poderia me deixar ganhar mesmo que seja só para me agradar. Poderia não ser a pessoa errada. Poderia não mexer comigo. Poderia ser canalha e grosso. Poderia não beijar tão bem. Poderia me pedir para ficar. E poderia nunca mais me deixar ir. Bem que poderia ter sido diferente.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Meu T é você


"- Eu to lascado de amor por tu, cara de tatu, :D
- E é, uma dia desses tu tava me chamando de jumenta. Isso é amor?
- É o amor cangaceiro, de cabra da peste, é um apelido carinhoso."


Tirei todas as minhas peles para você. E você sorriu para mim, com todas as suas máscaras. Hoje lembrei da mentira que tive que contar para podermos ficar juntos, do telefonema, das mensagens, da Cachaçaria, da rodoviária, do shopping, do apelido, dos amigos que ganhei ao te conhecer, do teu colo, do teu beijo, dos cheiros nunca revelados por discuido teu, das danças, das propostas, da "primeira", da "segunda", de todas as outras que não chegaram a acontecer, do autógrafo, do olhar, do travesseiro, das promessas falsas, das rosas negadas e das "não-juras" de amor. Agora preciso lembrar que tenho que te esquecer.

domingo, 5 de julho de 2009

Então, me deixa ficar?


"...Hoje voltei no passado
Lendo em meu diário, nossos velhos planos
Quando eu te conheci
Achei que era só bobagem
Um desses casos que acontecem em qualquer viagem
Mais olha como as coisas são
Você roubou meu coração.."


Se, num dia qualquer, eu bater a sua porta, você promete me deixar entrar? É que às vezes eu sinto essa necessidade de não ficar só e você, mais do que ninguém, consegue me fazer sentir completa. Eu deixo você conhecer meus segredos, aqueles que eu guardo numa caixinha imaginária, do lado do travesseiro. Mas, eu vou querer saber as suas verdades, aquelas só suas, e vou querer fazer parte delas também. Prometo entender seus medos, mas você vai conviver com os meus e ter que dormir com o abajur aceso, porque você já conhece meu medo de escuro. Eu divido minhas alegrias e meu edredom com você. Mas, você vai ter que parar de fugir de mim toda vez que se assusta ou fica com medo do inseguro, porque ficar junto é muito mais do que certeza e segurança. Eu prometo te dar um beijo todo dia de manhã, e à noite também, além de outras coisinhas mais. Mas você vai ter que me prometer carinho e chocolates. Você vai conhecer meus ciúmes bobos e minhas manias, e vai aprender a aceitá-los. E vai entender também quando eu inventar brigas sem motivo só para quebrar o gelo, porque eu tenho horror quando as coisas tendem a ficar entediantes. E se, num dia qualquer, eu tentar fugir de você e for embora, prometo não demorar em voltar. Porque eu só faço isso por puro charme e pra ter certeza de que você me quer. Então, quando eu bater, me deixa ficar? Mesmo que não seja pra sempre. Mas faça isso logo, antes que eu desista de te querer.