“Que ainda guarda meus assuntos inacabados e alguns encontros mal resolvidos. Fico parada em pé com o pensamento longe. As histórias que eu queria ter vivido por inteiro ou pelo menos ditado o final, como nos livros que eu não termino”
Eu não sei lidar com começos e com finais. Nasci pra ser recheio: eu gosto do meio! Nasci pra pré-encher. Apesar de não entender de metades porque sou toda. Toda exagero, toda invenção, toda ficção e toda realidade.
Sou egoísta, complicada, complexada e ao contrário de muitas outras “gentes” não tenho vergonha de expor meus medos e não nego: tenho medo de enfrentá-los e não tô a fim de enfrentá-los agora. Guardo-os dentro de mim. Quando tiver paciência e coragem, talvez eu resolva destruí-los. Mas isso são outros verões.
Começo coisas já esperando pelo fim porque sei que sempre acabam. Nem preciso aprender a terminar. Por isso sinto tudo de uma vez só pra não sobrar nada para depois. Até porque os depois costumam não existir. Eu só tenho pavor das metades. Por isso: sinto muito! Aliás, sinto tudo. “Lamento, com mágoa precoce, por todo futuro que vira pretérito antes de fazer modo indicativo.”
Cansei das conversas que não tive. Das conversas embaladas de verdades inventadas que procuram explicação para a falta de palavras.
Deu soluços nos sentimentos e apesar disso, meus sorrisos estão intactos. O que não quer dizer que eu desaprendi a chorar. Eu sei transbordar e me envergonharia se não soubesse. Meu ser tão cheio de luas e de fases fica imaginando quantas estrelas perdidas no meu olhar vão ficar lá, indesvendáveis. Começadas e incompletas. Nunca terminadas, por conseqüência. Não sei como alguém pode não se sentir a vontade para descobrir estrelas perdidas. Mas há tanta coisa que eu não sei e não vou saber. Até porque os depois costumam não existir.