Existiam vestígios de um passado recente e oculto onde eles estavam. Algo preservado em segredo, em uma espécie de caixa onde se guardam cartas, daquelas localizadas do lado de dentro, algo que apenas pertencia a ela.
- E eu ainda não fui capaz de compreender o porquê do nosso ponto final. Existem certas verdades que meus lábios ainda não conseguem pronunciar, coisa que eu não sei como dizer olhando para você, talvez seja só questão de tempo. – Ela sempre repetia.
Ela não entendia. Ele transformava suas palavras em enigmas, tentando fazer com que ela descobrisse tudo o que ele sempre deixava para contar no amanhã, ou quem sabe nunca. E de certa forma, ela acreditava em uma desconfiança que aparentemente ele mantinha.
Completamente iguais e nitidamente diferentes. Uma junção que sempre prometeu um encaixe perfeito, se não fosse a caixa escondida, o segredo guardado, o medo que a acompanhava. Fatores que por muito tempo ela se esforçou para destruir; visto que o parágrafo deles, que por vontade dele tornou-se um ponto final, não se transformava em pontos e vírgulas para reiniciar o que um dia começou.
Meses se passaram, e o distanciamento que surgiu entre eles, chegou ao fim. Iniciando novamente todos aqueles questionamentos. De alguma forma, já era capaz de presenciar em seus olhos, que ela sabia que o dia de abrir a caixa que guardava seus segredos se aproximava.
Pedidos negados, vontades escondidas, confusão nítida. Foi assim que se determinou por um tempo considerável as respostas dele, que por vezes demonstrava indiferença a ela, outras uma saudade incontrolável, tudo sempre acompanhado de uma dose de confusão.
Acabou, não existiam mais perguntas por parte dela, não havia mais insistência, não existia fragmento algum do que um dia ela pensou que não iria sentir falta. E foi aí que tudo o que era guardado, aparentemente seria completamente exposto.
- Lembra? Você insistia e sempre se importou em descobrir o que eu teimava em não revelar.
- É, você nunca esteve pronto para isso.
- Ainda não estou!
- Então porque me procurou?
- Apenas para não te deixar esquecer que independentemente do que eu não consiga dizer, existem palavras que sempre fogem de mim para chegar até você.
- Acredito que as desconheço.
- Então apenas as esqueceu, pois como sua insistência, eu sempre as repeti para você.
- Me faça lembrar então!
- Nada mudou, mas eu ainda amo você.