quinta-feira, 31 de julho de 2008

Mesmo que o tempo passe

"Se existe a desilusão em cada canto das ruas, você é a desilusão e as ruas."

Eu não entendo você. Nem sei direito o que você vê em mim. Não sei o que pensa nem o que sente...
Na verdade, acho que nem te conheço e o pouco que sei de você, nem sei direito. Te conheço apenas por palavras!
As coisas entre nós aconteceram de um jeito estranho, incomum...
No início foi tudo muito perfeito... Hoje nem sei mais o que você tem feito ou se lembra de mim.
Você me marcou e mesmo que o tempo passe – e ele vai passar – nunca vou te esquecer.
As minhas lembranças, os nossos momentos, as muitas horas que passei com você ao telefone, ninguém, NUNCA, será capaz de apagar.
Você é diferente... O que passei com você não é comparável a mais nada que já vivi até hoje e não existirá mais ninguém assim.
Já amei algumas pessoas e vou amar muitas outras, no entanto sempre alguma coisa vai me lembrar você. Uma palavra, um sorriso, uma voz, meu celular, minha tatuagem, o sol, a lua, àquela música...
Eu até cheguei a ver você em outras pessoas, mas não existiam lembranças afinal não conheço as formas do seu rosto e acho que nunca vou conhecer. Talvez o destino esteja jogando comigo pra desordenar meus sentimentos, ferir o meu orgulho e aguçar minhas incertezas.
Dizem que as coisas sempre têm um lado bom. Você apareceu pra me fazer não lembrar aquele amor e hoje, nenhum outro amor me fará esquecer você.

Aqui (Ana Carolina)


Aqui
Eu nunca disse que iria ser
A pessoa certa pra você
Mas sou eu quem te adora
Se fico um tempo sem te procurar
É pra saudade nos aproximar
E eu já não vejo a hora
Eu não consigo esconder
Certo ou errado, eu quero ter você
Você sabe que eu não sei jogar
Não é meu dom representar
Não dá pra disfarçar
Eu tento aparentar frieza mas não dá
É como uma represa pronta pra jorrar
Querendo iluminar
A estrada, a casa, o quarto onde você está
Não dá pra ocultar
Algo preso quer sair do meu olhar
Atravessar montanhas e te alcançar
Tocar o seu olhar
Te fazer me enxergar e se enxergar em mim
Aqui
Agora que você parece não ligar
Que já não pensa e já não quer pensar
Dizendo que não sente nada
Estou lembrando menos de você
Falta pouco pra me convencer
Que sou a pessoa errada
Eu não consigo esconder
Certo ou errado, eu quero ter você
Ei, você sabe que eu não sei jogar
Não é meu dom representar
Não dá pra disfarçar
Eu tento aparentar frieza mas não dá
É como uma represa pronta pra jorrar
Querendo iluminar
A estrada, a casa, o quarto onde você está
Não dá pra ocultar
Algo preso quer sair do meu olhar
Atravessar montanhas e te alcançar
Tocar o seu olhar
Te fazer me enxergar e se enxergar em mim

O garoto do pandeiro (Tati B.)


No meio de pessoas ensebadas e poças nojentas de cerveja e mijo, ele surgiu com seu pandeirinho. O mundo cheio de motivos para ir embora congelou naqueles olhos verdes melancólicos e ao mesmo tempo despretensiosos. A festa ganhou sentido e por alguma razão minha vida também.
Foram três ou quatro anos de um amor que beirava a obsessão: eu andava pelas ruas e achava que todo mundo era ele. Cheguei ao ponto de um dia me olhar no espelho e também achar que era ele. Fiquei louca de pedra mesmo.
Não comia, não dormia, não ria, não tinha a menor idéia do que fazer da vida. Tentei terapia, ioga, curso de artes plásticas, budismo, cartomante, centro espírita… Nada adiantava. Eu não conseguia encontrar uma razão para viver ou um alento para sobreviver. A única coisa que eu fazia era chorar o dia todo porque o tal do garoto perfeito não queria saber de mim.
Até hoje, amigos da época da faculdade ainda me encontram e perguntam “E fulano?”. Eu apenas sorrio e respondo incerta: “Passou, coisa de quando eu era criança”. Depois fico um pouco envergonhada em lembrar o quanto eu enchia o saco de todo mundo com a minha monotemática – eu basicamente não falava de outra coisa.
Toda vez que tinha um trabalho pra fazer na faculdade, minha inspiração era a cidade natal dele, ou alguma banda que ele gostava muito, a etimologia do seu nome, a rua onde ele morava...
Foi o maior amor que já senti na vida.
A história terminou junto com a faculdade. Ele sumiu no mundo e eu cai na vida. Tive dezenas de namorados, aprendi a amar menos, o que foi uma pena, e aprendi a ser mais cínica com a vida, o que também foi uma pena, mas necessário. Viver pra sempre tão boba e perdida teria sido fatal.
Dez anos depois recebo uma ligação estranha, a mesma voz de sempre, as mesmas lacunas que eu, sempre nervosa, nunca soube preencher. A bola de fogo ainda estava dentro de mim, minhas pernas ainda podiam fraquejar, minha boca ainda secava, eu ainda guardava em mim os restos corajosos e puros do primeiro, e sempre maior, amor.
Cortei o cabelo, comprei roupa nova, fui o caminho inteiro me dizendo “Agora você é uma mulher, comporte-se como tal” e rezando a Deus para que ao menos dessa vez me ajudasse a controlar o queixo que sempre tremia.
Cheguei primeiro, estalei os dedos, mordi a boca, suspirei, fechei os olhos. De repente ele estava lá. Olhei bem, olhei de novo, olhei mais uma vez… Não… o que tinham feito do meu amor? O que tinham feito do meu demônio, da minha morte, da minha vida, da minha essência, dos meus valores, das minhas verdades?
Ele se sentou ao meu lado com olhos verdes apagados e limitados, comentou que retardatariamente ainda tocava seu pandeirinho... Sua camisa era brega, seu cheiro era oleoso e seu papo era digno de descontrole dos queixos realmente, pois dava muito sono.
Nos beijamos e nada, nenhuma disparada no coração, nenhuma dobrada involuntária nos joelhos, nada de estrelas, sininhos, fogos e cores vibrantes. O garoto perfeito dos olhos verdes perfeitos e das músicas perfeitas era agora apenas o garoto desinteressante do pandeiro. Como eu pude quase morrer pelo garoto do pandeiro?
Voltei pra casa amando e odiando o tempo. Amando porque o tempo havia passado, odiando porque o tempo havia passado.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Beijo no travesseiro (Maria Hilda de J. Alão)


"Paixão maior que a minha não existe,
Mesmo não correspondida persiste,
Pulsando insistente no meu coração
Cantando a eterna canção
Do amor impossível que me faz sofrer.
Imagino e sinto o cheiro dos teus cabelos,
O contato de tua mão nos meus pêlos,
Fazendo carinhos que não ouso dizer.
Capto o teu aroma que é um beijo
Ansiosa, prendo-o no travesseiro,
E quando o aspiro eu te revejo
Chegando com teu sorriso brejeiro.
Não percebes, nem por acaso,
O sentimento profundo e sincero,
Nem o fogo onde eu me abraso,
Nem a volúpia com que te quero.
Para ti sou a amiga de braços abertos
Cuja alma presa nos teus olhos espertos,
Ouve, atenta, segredos e lembranças,
Dos amores findos e de tuas esperanças..."

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Não preciso mais olhar para trás


Malta, 18 de julho de 2008
Binha,
Esperei tempo demais pra que você viesse a mim. O passado pode até voltar, mas não da mesma forma.
Olhando para trás, para onde perdemos o fio da meada, me sinto leve, calma, aliviada...
Não preciso mais daquelas lágrimas e agora meu sorriso voltou a aparecer na minha face.
Não importa o tempo que levou, elas secaram, cicatrizaram.
Agora não te desejo mais, não espero que me queira e não preciso mais dizer o que sinto; eu não sinto.
Só tenho que aprender a dizer não a você. Isso ainda precisa ser trabalhado na minha mente. Passei tempo demais te querendo e ainda é difícil pra mim.
Você ainda faz parte do meu passado e (infelizmente?) sempre fará. Porém sem àquelas comparações. Graças a Deus, sem as comparações.
Outro tempo começou. Quase nem me lembro de você e estou feliz por ter conseguido essa façanha que um dia me pareceu impossível.
E agora quando estamos juntos não me imagino com você e nem fico pensando “como seria se”. Lembro dos velhos tempos, fico feliz e até chego a sentir um pouco de saudade.
Hoje posso dizer sem segundas intenções e sem me sentir mal que te adoro, mas não da maneira desesperada de antes.
Agora, com carinho...

quinta-feira, 10 de julho de 2008

E ainda faltam palavras


A outra oportunidade veio e eu soube aproveitá-la, mas dessa vez não fui eu quem errou.
Todas as noites eu te procurava, estava ansiosa pra te ver, queria você comigo outra vez. Você passou por mim, falou e meu coração se encheu de felicidade. Num instante você saiu e não mais te vi, mas ainda havia muito tempo.
No outro dia te encontrei e não ia deixar você partir de novo. Fiquei com você, perguntei por ela e com um simples sorriso você me respondeu que estava sozinho. Precisava ir, mas tinha que ficar, não podia perder essa chance. Você sabe o que sinto por você e eu tive a certeza que você me queria quando se lembrou da primeira vez que a gente ficou, nem eu lembrava... Há exatamente um ano, de novo tudo aquilo, aquela expectativa e de novo, você fez acontecer, talvez os melhores minutos daquela semana... Combinamos de nos encontrar mas você não apareceu e eu ainda tinha esperanças. Talvez outro dia quando você me visse, viesse falar comigo e quisesse lembrar de novo do que aconteceu ano passado.
Fiquei muito triste quando ela me disse que não estava só, você mentiu pra mim. Você?!
O único que não poderia ter feito isso. Valeu, valeu! E àquele seu amigo nem quis mais ficar comigo depois que soube que eu fiquei com você.
Percebi o quanto você gosta dela quando olhei nos seus olhos. Tinha ido perguntar o porquê de você ter mentido pra mim, porém não ia mais fazer diferença, você já tinha feito a sua escolha há muito tempo. Eu que ainda não queria aceitar não ser sua escolha.
Não era isso que eu tinha imaginado, mas eu vou esperar e quando você quiser ainda vou estar aqui. Não é só isso, ainda não foi o final. Ainda terei muitas palavras pra escrever sobre nós dois.
Até um dia!

terça-feira, 8 de julho de 2008

Triz (Tati B.)


Eu quase consegui abraçar alguém semana passada. Por um milésimo de segundo eu fechei os olhos e senti meu peito esvaziado de você. Foi realmente quase. Acho que estou andando pra frente.
Ontem ri tanto no jantar, tanto que quase fui feliz de novo. Ouvi uma história muito engraçada sobre uma diretora de criação maluca que fez os funcionários irem trabalhar de pijama. Mas aí lembrei, no meio da minha gargalhada, como eu queria contar essa história para você. E fiquei triste de novo.
Hoje uma pessoa disse que está apaixonada por mim. Quem diria? Alguém gosta de mim. E o mais louco de tudo nem é isso. O mais louco de tudo é que eu também acho que gosto dele. Quase consigo me animar com essa história, mas me animar ou gostar de alguém me lembra você. E fico triste novamente.
Eu achei que quando passasse o tempo, eu achei que quando eu finalmente te visse tão livre, tão forte e tão indiferente, eu achei que quando eu sentisse o fim, eu achei que passaria. Não passa nunca, mas quase passa todos os dias.
Chorar deixou de ser uma necessidade e virou apenas uma iminência. Sofrer deixou de ser algo maior do que eu e passou a ser um pontinho ali, no mesmo lugar, incomodando a cada segundo, me lembrando o tempo todo que aquele pontinho é um resto, um quase não pontinho.
Você, que já foi tudo e mais um pouco, é agora um quase. Um quase que não me deixa ser inteira em nada, plena em nada, tranqüila em nada, feliz em nada.
Todos os dias eu quase te ligo, eu quase consigo ser leve e te dizer: "Ei, não quer conhecer minha casa nova?" Eu quase consigo te tratar como nada. Mas aí quase desisto de tudo, quase ignoro tudo, quase consigo, sem nenhuma ansiedade, terminar o dia tendo a certeza de que é só mais um dia com um restinho de quase e que um restinho de quase, uma hora, se Deus quiser, vira nada. Mas não vira nada nunca.
Eu quase consegui te amar exatamente como você era, quase. E é justamente por eu nunca ter sido inteira pra você que meu fim de amor também não consegue ser inteiro.
Eu quase não te amo mais, eu quase não te odeio, eu quase não odeio aquela foto com aquelas garotas, eu quase não morro com a sua presença, eu quase não escrevo esse texto.
O problema é que todo o resto de mim que sobra, tirando o que quase sou, não sei quem é.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Minha vida (Rita Lee)


Tem lugares que me lembram
minha vida, por onde andei
as histórias, os caminhos
o destino que eu mudei
cenas do meu filme em branco e preto
que o vento levou e o tempo traz
entre todos os amores e amigos
de você me lembro mais
Tem pessoas que a gente
não esquece nem se esqueceu
o primeiro namorado
uma estrela da TV
personagens do meu livro de memórias
que um dia rasguei do meu cartaz
entre todas as novelas e romances
de você me lembro mais
Desenhos que a vida vai fazendo
Desbotam alguns, uns ficam iguais
Entre corações que tenho tatuados
De você me lembro mais
De você, não esqueço jamais!